Olha o que chegou aqui em casa!

Eu já tinha comentado aqui antes sobre o trabalho da Linda McCartney como fotógrafa em um post sobre um livro da filha dela e do Paul, Mary. Lembro de ter reclamado que o lançamento do livro Linda McCartney, Life in Photographs, pela Taschen, estava demoraaaaannddooo...pois, bem! A espera acabou, pois finalmente chegou às lojas do mundo todo ( e na minha casa também!) a publicação, e eu não poderia estar mais faceira.


Antes de virar Sra. McCartney, enveredar pelos caminhos da música com Paul e o Wings, (eu sempre achei a participação dela na banda uma coisa de gosto meio...mmmm, duvidoso, assim como a Yoko querendo fazer música com o John), a Linda Eastman foi uma das primeiras mulheres a entrar nos backstages do rock mundial e registrar alguns dos momentos mais espontâneos da música na década de 60. Sempre me atraiu nas fotografias dela o quão naturais e simples as fotos são, e justamente por isso, tão boas.






O livro, que tem textos do Paul, das filhas Stella e Mary e - babem! - da Annie Leibovitz, é uma progressão cronológica do trabalho dela, que se confunde com a própria história da Linda, de tão íntimas e pessoais que são. Do começo na companhia de alguns dos maiores ícones da música na década de 60, à vida (feliz) em família com Paul McCartney e os quatro filhos, os cliques de Linda transpiram intimidade, simplicidade e uma elegância que está nos detalhes.







A própria filha Mary, hoje uma fotógrafa de peso da Getty, relembra na publicação o quão relaxado e despretensioso o estilo de fotografar da mãe parecia para ela, até também começar a fotografar e descobrir o quão precisas e rápidas eram as escolhas de Linda na hora de apertar o botão da máquina. "Ela era tão natural que as pessoas a convidavam, com a câmera, para dentro de suas vidas". Em outro momento, a outra filha Stella lembra que Linda raramente tinha grandes equipamentos ou uma equipe com ela, "sendo sempre só ela e uma câmera simples". O que eu acho uma forma interessante de arte.

De qualquer maneira, o livro já está à venda no site de Taschen ( mas está bem mais barato na Amazon!) e é uma coisa linda de se ter e rever sem fim.

Hampstead Heath

Há algum tempo que eu queria fazes esse post, mas não dava tempo...e agora que eu arrumei tempo, cá está ele, pois não é preciso de datas para se falar de coisas lindas e eu também sigo sentimental e brega, então vocês já viram...

Londres tem dessas coisas. Quando você acha que já viu de tudo na cidade, ela dá uma risadinha e diz baixinho: "espera você ver isto aqui então...". Pois isto sempre me acontece, desde que cheguei aqui novamente, então eu já desisti de dizer que a conheço bem. E foi assim com o Hampstead Heath, que para quem não sabe, é um parque que fica lá no extremo norte de Londres ( e em um dos bairros mais ricos também, o Hampstead). O bairro é meio fora de mão, não é um lugar pelo qual você costuma passar, mas quase não acreditei quando cheguei ao parque e me deparei com uma área de mata nativa no meio da cidade.





O Heath ( como os ingleses o apelidaram) é um parque abençoado. Além da preservação da mata, há campos verdes para fazer piqueniques, lagos (em um deles é possível tomar banho!), uma luz maravilhosa para tirar fotos e...NENHUM barulho de cidade para te lembrar que estamos em uma das maiores metrópoles do mundo. É como se entrar no parque significasse fechar uma porta na cara do corre-corre urbano. São tantas árvores e tantas flores, que fica difícil escolher, mas passei horas fotografando uma em especial, que traduz todo o charme do lugar, como vocês podem ver nas fotos...




E o mais querido também, é que todos os bancos do parque, são presenteados por famílias da região, que gravam o nome dos entes queridos que já faleceram, mas adoravam ali.


Para completar, neste dia enquanto estava voltando, ainda me deparei com uma cena insólita, mas que me deixou toda boba também: esse coelho de pelúcia, sentado na esquina de uma das ruas mais bonitas de Hampstead, meio que esperando o dono...não é lindo? Eu achei.


Para quem quer visitar o Heath, a estação de metrô mais próxima é a Hampstead, ou pelo overground, Hampstead Heath.

Londres é...


...em dias de sol, sorrir para tudo e para todos.
...em dias cinzas, se permitir ser cinza também.
...dar bom dia para qualquer um na rua.
....chamar todo mundo de "love".
...ser chamado por todos de "love";
...pubs, pubs, pubs.
....se importar com a família real.
...fingir se importar com a família real.
...não jogar nunca lixo no chão.
...ouvir 30 línguas diferentes dentro do ônibus.
...ouvir "sorry" 50 vezes por dia.
...dizer "sorry" 50 vezes por dia.
...achar o Tesco o máximo.
...ter a certeza de que mesmo que você saísse pelado na rua, ninguém iria te incomodar.
...sapato Oxford.
...ter sentido certo para ir e vir nas estações de metrô.
...sempre ir no sentido certo nas estações de metrô.
...esperar nas laterais do vagão e somente entrar depois de quem precisa sair.
...ficar parado somente no lado direito da escada rolante, para dar passagem aos que estão com pressa pelo lado esquerdo.
...em dia de folga, piquenique a tarde toda no parque.
...em dia de trabalho, preferir - mesmo de terno e gravata - sentar num parque, tirar os sapatos e almoçar no chão.
...disputar roupa nas araras de promoção.
...encontrar o Jamie Oliver almoçando no mesmo restaurante que você.
...quando calor, colocar o biquíni e deitar em qualquer espaço verde que tiver.
...nunca ter visto um temporal na vida.
...brechós, brechós,brechós.
...experimentar roupa em qualquer canto da loja mesmo, para evitar a fila do provador.
....caminhar, caminhar, caminhar.
...programar a jornada de transporte pelo TFL.
...punks, neo-hippies, anarquistas e yuppies frequentando o mesmo local.
...ter a certeza de que qualquer restaurante italiano sempre vai ser bom.
...a festa terminar à uma da manhã.
...voltar da festa de ônibus.
...beber cerveja de manhã.
...ter sempre o Oyster na carteira.
...Topshop, Accessorize, Zara, H&M, River Island, New look, Mango, Whistles, Bershka, Urban Outfitters, Boots...
...ver flores de tipos que você nunca viu na vida, por todos os cantos.
...shows, shows, shows.
...ficar impressionado com o prédio do Parlamento.
...ficar decepcionado com o Palácio de Buckinghan.
...ter sempre um casaco na bolsa.
...comer em mercados de rua.
...dizer pelo menos uma vez por semana: "mas ô cidade que é bonita".

Aos poucos, vou adicionando mais coisas.

A favorita

Em qualquer cidade, há lugares pelos quais você transita que adoraria poder passar todos os dias, se houvesse oportunidade. Londres é atravessada ao meio pelo rio Tâmisa, e atravessar pontes é tarefa que todo mundo, visitantes e moradores, fazem diariamente, seja a pé ou motorizado. São dezenas delas, velhas e novas, lindas e feias e, se eu pudesse escolher uma única ponte, uma ponte só - dentre as dezenas que ligam a cidade - era pela ponte de Waterloo que eu atravessaria o rio todos os dias.

Ela não é a mais bonita, nem de longe a mais moderna, muito menos a mais descolada. Mas foi a primeira ponte que eu atravessei quando cheguei pela primeira vez aqui, e a imagem mais emblemática para se guardar de Londres: de um lado o parlamento, o Big Ben e a London Eye em um só cartão postal. Do outro, uma vista panorâmica do centro financeiro da cidade, com o famoso prédio "Gurkin" na paisagem. No lado sul, aos pés da ponte, dois dos maiores centros culturais ingleses, o National Theatre e o Southbank Arts Center. No lado norte, a passagem de entrada para a adorável Shaftesbury avenue.

Eu sempre tive a impressão de que até a posição solar é privilegiada ali, e o sol bate diferente nos prédios e na água, como se todo à momento fosse O momento para se tirar uma foto ( à noite, com a lua também é assim!). Eu costumo dizer que, é o local pelos quais as pessoas passam para se darem conta de que estão em Londres mesmo. Eu quase sempre arrumo uma desculpa para ter de atravessá-la. E é sempre igual: eu caminho até o meio, paro. Sorrio para os dois lados, suspiro, e sigo no emaranhado da cidade.

De um lado...

...e do outro!

Vista da beira do rio!



Mercados Ingleses: Borough Market

Eu não vou dizer que é a coisa mais legal de Londres (porque chega a ser covardia com tanta coisa legal pra se fazer em Londres!), mas com certeza está na minha lista de programas imperdíveis para aproveitar aqui: tirar um dia para ir a um dos inúmeros mercados que a cidade tem. Cada um do seu jeitinho, cada um em um bairro diferente, cada um para um tipo específico de pessoa...tem para todos os gostos! Eu adoro todos, mas começo pelo Borough Market porque é o maior climão mesmo: uma feira com as comidas mais deliciosas e ecléticas, os temperos mais incríveis, alimentos orgânicos e produtos produzidos em pequena escala, por produtores locais.

Bem ao lado da London Bridge Station, dá pra fazer a feira da semana e comer muito bem. Vai dos merengues e macarones franceses empilhados nas mesas, às linguiças e embutidos trazidos da Alemanha, passando por pratos típicos de toda a europa, frutos do mar frescos, ilhas com mais de 20 tipos de queijos, tortas salgadas e doces, produtores de especiarias variadas, chás, pães e azeite de oliva. Não tem como não enlouquecer com tudo lá!

O Mercado funciona de quinta à sábado sempre por volta das oito da manhã até o finalzinho da tarde, embora seja melhor evitar o final de semana, já que o público no local quadriplica (como dá pra ver nas fotos aí!), em comparação com quinta e sexta-feira. Mais sobre essa feira linda: http://www.boroughmarket.org.uk/

Aos poucos, vou escrevendo mais sobre os outros (tantos e maravilhosos!) mercados de Londres. E vocês, tem algum preferido?

Arte calculada

Exímio artista gráfico, o holandês Maurits Escher disse certa vez que pouca coisa separa a arte da matemática.  Por isso, nunca se considerou nem artista, nem gênio dos cálculos, transitando com uma fluência tão impressionante por esse dois meios que acabou fazendo da sua trajetória um processo híbrido, onde cálculo e sensibilidade fundiram-se para criar obras fantásticas. O trabalho de Escher não foi tão aplaudido pelos críticos de sua época quanto deveria mas, adorado pelo público, suas obras cheias de imaginação e método até hoje circulam livremente em emails pela internet, mesmo que você não tenha nem ideia de que está diante de uma produção do artista.

Longe dos meios virtuais, esse conjunto de obra incrível pode ser vislumbrado pelos brasileiros até o dia 27 de março no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro, na exposição O mundo mágico de Escher. Ali o público é convidado a entrar  em um universo paralelo, onde a ilusão de ótica proposta pelo artista nos faz acreditar nas perguntas que ele fazia a si mesmo: "Quem disse que o chão que pisamos é mesmo o chão, e não o teto de algo?".

São cerca de 60 obras em litografia (processo de gravura a partir do desenho em pedra) e xilogravuras (gravuras a partir de desenho em madeira) - uma trabalheira danada para fazer! - além de instalações-enigmas que nos deixam coçando a cabeça com o mistério calculado do holandês. Em A sala impossível, um mesmo ambiente é capaz de possuir dois universos completamente opostos um do outro, e em Ao cubo, é possível nos vermos - e aos outros também! - reproduzidos ao infinito. E tem a belezura aí de baixo , onde podemos entrar e nos sentir um pouco em "Alice no país das maravilhas":



Ah! E é sempre bom lembrar que é "de grátis". Coisa boa. Depois do Rio, a exposição segue para São Paulo. Para saber mais sobre Escher, acesse: http://mcescher.com/

Serviço
O Mundo Mágico de Escher - Até 27 de março de 2011
Centro Cultural Banco do Brasil - Rua Primeiro de Março, 66 - RJ
Entrada franca

Mary McCartney: a outra filha do Paul.

Que a Stella McCartney é talentosíssima todo mundo já sabe. Desde que fincou os pés no mundo da moda há mais de uma década, ela provou que mais do que filha de um ex-Beatle, era uma estilista de mão cheia, capaz de prever algumas tendências anos luz à frente dos demais. Mas daí que há algum tempo atrás eu estava olhando uma sessão de fotos da Getty Images em locações de cinema pelo mundo, e o crédito que aparecia no cantinho das fotos era o seguinte: Mary McCartney. E como toda a curiosa que se preze nos dias de hoje, joguei o nome no Google para ver se o sobrenome fino da Mary também havia sido herdado do Macca.

E não é que é? Irmã da Stella, filha do Paul e da Linda, Mary é fotógrafa pra lá de conceituada e muito talentosa, assim como a mãe. Eu que sempre curti o trabalho da Linda - que muito antes do casamento com o ex-Beatle já era uma fotógrafa de shows e perosnalidades da música, registrando alguns dos maiores ídolos do rock mundial - fiquei feliz em saber que a Mary tinha herdado os cliques da mãe. Aliás, foi pelas mãos da Linda que a filhota acabou descobrindo que queria viver de fotografia, quando ainda adolescente era convidada a ajudar a mãe na catalogação e arquivamento do acervo de fotos dela, que tem coisas lindas como essas:

De lá pra cá, a Mary fez uso do passe livre que seu sobrenome proporciona para fazer retratos lindos e cheios de intimidade de alguns dos maiores astros do planeta, além de registros em fotojornalismo e editoriais de moda (dentre elas campanhas para a marca da mana, of course!). Tem tanto clique bacana que, no finalzinho do ano passado, ela acabou ganhando um livro com uma seleção do melhor de seu trabalho, intitulado Mary McCartney: From where I stand. E enquanto a publicação sobre o trabalho da Linda não vem - a Taschen fez um bafo no início do ano passado prometendo o lançamento para a metade de 2010 e até agora nada! - vale conferir o que foi reunido para a edição em homenagem à Mary (que você pode comprar no amazon):

Helen Mirren

























Bailarinos do Royal Ballet

Brincando de paparazzi com a irmã Stella

Tracey Elmin de Frida Kahlo
Debbie Harry

Registrando o pai, Macca.

Kate Hudson

A-DORO: O mundo é uma bolha.

Para o americano Tom Storm (gostei do nome dele, by the way!), o mundo é do tamanho de uma bolha. Tanto que o fotógrafo passou a registrar as suas andanças - que não são poucas! - pelo mundo em bolinhas de sabão, criando imagens fantásticas que esbanjam lindeza e técnica. Ele jura que as fotos são dessa beleza toda ao natural, ou seja, com mínimas alterações digitais, e pirou tanto na ideia de fotografar mini-mundos dentro dessas esferas mágicas que são as bolhas de sabão, que a brincadeira virou o projeto World in a Bubble. Através dele, o Tom sai por aí fotografando reflexos do mundo, ajudado por amigos ou estranhos que topam soprar as bolhas para ele registrar que, de fato, o mundo é redondo. O site do projeto, com a devida história por trás de cada clique, pode ser conferido no site do fotógrafo aqui.

Monastério das Cavernas – Região da Capadócia, Turquia
 Cloud Gate - Chicago, EUA
Fonte de Netuno - Gdansk, Polônia
Monumento a Washington - Washington, EUA
Moinhos de Vento - Copenhagen, Dinamarca
O fotógrafo em Istambul

Como identificar um turista bagaceiro

Ah, as férias...período do ano que todo mundo espera, todo mundo com a passagem marcada já pra algum lugar do mundo. Coisa bem fina, né? NOT. Não importa para onde você vai, sempre tem um sem noção pra estragar a paisagem ou o passeio, fazendo alguma coisa bagaceira pra ferir o seu campo de visão ou o seu bom senso. Acabei formulando uma lista para identificar esse tipo de gente. O top 10 abaixo não é cientificamente aprovado por nenhuma universidade internacional, nem tem selo qualidade do Inmetro...é baseada somente em conhecimento empírico. Mas você sabe que está diante de um turista bagaceiro quando:

1. A pessoa posa para fotos em pontos turísticos internacionais  com a maldita canga da bandeira do Brasil aberta ( ou pior, enrolada nela). É bagaceiro igual as variações como a canga do calçadão de Copacabana ou com as fitinhas do Senhor do Bom Fim. 

2. Vai para noite com a camiseta do seu país. (Só vale na Copa ou nas Olimpíadas. E se você está no país que acontece o evento!)

3. Usa tênis Nike de molinha com meia sanfonada para ficar "mais bagaceiro confortável nos passeios".

4. Uma vez no exterior, vai em danceterias que  tenham noites brasileiras ( vide Noite da Lambada, Noite do forró...). Ou pior: de férias em outro país, aproveita pra conferir o show da Ivete Sangalo que vai rolar aquela semana.

5. Não pode ver alguém falando português que já quer puxar papo e ficar melhor amigo, perguntando - em tom nostálgico - de que Estado você é.

6. Pede pra tirar foto com a polícia local. (alerta bagaceiro. Já fiz isso nos idos tempos. #vergonha)

7. Durante a viagem, começa a comparar - em clima saudosista- o país que você está com a sua terra natal.

8. Enquanto olha o povo passar pela rua, comenta que naquele lugar só tem gente feia.

9. Se recusa a entrar no esquema da região e não dá gorgeta pra garçom nenhum, mesmo que seja de praxe no país.

10. Volta com muamba internacional (perfume, tênis, camiseta de marca, hidratante) pra revender "páscolegadetrabalho".

Faltou algo? Deve ter faltado...OU pior: você está nesta lista...ai...

A-DORO: As interferências de Johan Thörnqvist

Para o sueco Johan Thörnqvist não basta apenas fotografar. Todo e qualquer registro feito em um clique é devidamente modificado com as ilustrações do artista, dando vida e movimento a cenários urbanos ou paisagens naturais. Seja criando cenas irreais ou "povoando" as fotografias com pessoas em poses cotidianas, as obras híbridas do Johan propõe um jogo bacana - e muito autoral - entre os registros reais e ficcionais do artista. Você pode conferir o site oficial do sueco aqui.