E você, ama o quê?

Eu já vou avisando que este post é uma declaração de amor. E como toda a boa declaração de amor deve ser, é brega. So, bear with me. 

Eu estava pensando em quantas coisas a gente ama nessa vida e quantas delas fazem diferença de fato. E eu estava dividindo as pessoas em categorias pelo amor às coisas que possuem, e o que é passível de ser amado de fato. Existem pessoas que amam outras pessoas, pessoas que amam animais de estimação, pessoas que amam roupas, pessoas que amam qualquer porcaria tecnológica que aparece por aí, e pessoas que amam cidades. Eu faço parte deste último grupo. E, embora eventualmente eu ame todas as coisas da lista acima, eu gosto de lembrar de mim como uma pessoa do último grupo. Afinal, vamos ser práticos: pessoas podem nos decepcionar. Animais de estimação fogem ou morrem. Roupas estragam ou saem de moda e gadgets eletrônicos...bom, esses a cada mês já existe um novo para colocar o que você tem no chinelo. Mas amar uma cidade, está aí um amor capaz de criar devoção eterna.

Eu tive a sorte de experimentar isso, quando cravei meus pés pela primeira vez em Londres. Cética como sou, quase não acreditei quando tive a certeza de que já havia estado ali antes. Nada foi mais natural do que cruzar os portões da Victoria Station e ganhar as ruas inglesas, como se elas fossem minhas por todos esses anos. Durante meses eu e ela travamos, por assim dizer, uma relação de paixonite aguda e diária. Eu não tinha olhos para outras cidades, não via nenhum defeito nela e, por mais que eu a conhecesse bem conforme o nosso relacionamento ficava mais sério, ela sempre me fazia surpresas para eu não cair na monotonia.